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segunda-feira, 16 de junho de 2014

No Limite da Marmota

O Dia da Marmota de Tom Cruise
Apesar de o tema viagem no tempo ser interessante e instigante por si só, vários sãos os filmes tratando sobre o mesmo que se autodestroem por não saberem trabalhar direito com tal conceito. No meu caso, confesso que assisti poucos filmes sobre o tema, ou talvez tenha até assistido muitos, mas por não serem memoráveis acabei logicamente esquecendo-os. Algo que não aconteceu com O Feitiço do Tempo. Esse clássico da Sessão da Tarde trazia Bill Murray numa situação inovadora e hilariante onde o protagonista revivia o mesmo dia seguidamente, sem nunca escapar desse "looping". Toda vez que ia dormir já se preparava para o Dia da Marmota recomeçar (nome do evento que ele estava cobrindo como repórter). Depois de muitos anos No Limite do Amanhã me divertiu e entreteve tanto quanto o filme de Murray. Algo estranho a primeira vista, pois se levarmos em conta o pôster que ilustra esse post, além de termos Tom Cruise encabeçando o filme, astro de filmes de ação e ficção, com pouca rodagem pela comédia nos últimos anos (exceção ao ótimo Jerry Maguire), podemos apostar em mais uma ficção cientifica desinteressante e sem inovação, algo essencial no genêro. Sim, é uma ficção. E não, não é mais do mesmo. É divertida e instigante.
Bill Murray na Sessão da Tarde, clássico dos clássicos


No Limite do Amanhã nos traz o Sargento Cage (Cruise), em meio a uma guerra da raça humana contra alienígenas que estão rapidamente dizimando nossa espécie. Mesmo não sendo um soldado de campo, o oficial acaba se vendo no meio da batalha derradeira contra a raça invasora, na famosa Normandia (já fazem 70 anos do Dia D hein...). Para surpresa de muitos Cage morre pouco depois de iniciar a batalha, assim como praticamente todos os humanos. Porém, acorda no início do mesmo dia. De início não consegue acreditar no que acontece, mas depois acaba descobrindo que acidentalmente adquiriu a habilidade de voltar no tempo através do contato com os aliens, o que acabava fazendo-os naturalmente imbatíveis, pois sempre podiam voltar no tempo e corrigir os erros dos confrontos. Com a ajuda da heroína de guerra Rita Vrataski (vivida pela lindíssima Emily Blunt), a única que não o considera um louco pois já passou pela mesma situação com relação à voltar no tempo.

"Eu te ajudo a dar um pau nos aliens. Mas para de babar..." *_*

Impossível não relacionar a temática com a atual geração de jogos eletrônicos. Podemos hoje salvar quase que infinitamente durante a campanha de um jogo (quase, né Dark Souls), e se morrermos é só dar um load e não cometer o mesmo erro. Tom Cruise ficava praticamente dando load no dia da batalha contra os aliens
sempre aprendendo algo com sua morte em campo pra depois agir diferente no mesmo/seguinte dia. A questão cômica do filme vem justamente dessa reação do protagonista com esse vórtice ao qual está preso. Assim como no Feitiço do Tempo, o protagonista de início acha que deve estar louco ou em um sonho estrando, depois de repetir alguns dias, aceita a ideia e tenta tirar o melhor proveito possível de saber o que vai acontecer no dia por ter já vivido o mesmo. Se Tom Cruise não tem a cara de deboche do Bill Murray, as sua reações ao mesmo dia e as mesmas situações, assim como as várias maneiras em que ele morre tentando aprender com o inimigo são hilárias. Interessante também notar como os protagonistas acabaram usando a prisão temporal para se aprimorarem, o personagem de Bill Murray aprendeu a tocar piano em "um" dia, e o de Tom Cruise virou o melhor soldado possível de tanto treinar nesse mesmo "um" dia.
Tom Cruise, por ser o ator mais lucrativo de Hollywood, acaba criando uma imagem pré-conceituosa nos mais leigos de que se trata apenas de um galã, sem muito talento. Algo que suas três indicações ao Oscar negam. E, apesar de ter feitos filmes no máximo medianos nos últimos anos, é daqueles profissionais que sempre se esforça em qualquer projeto. E como o cara do Missão Impossível tá divertido nesse novo filme. Pois seu personagem é uma pessoa comum aprendendo a viver com a situação estranha e cômica em que está.

Como nem tudo são flores, o final do filme acaba deixando um pouco a desejar. Com um desfecho com muitas pontas soltas, algo normal em qualquer filme sobre um assunto tão paradoxal como viagem no tempo, acaba sendo um pouco covarde no fim, com o nem sempre aplicável "final feliz". Bem diferente do mangá japonês do qual o filme foi adaptado. Mesmo assim, ainda é uma excelente pedida, sendo um filme leve, divertido e instigante. E, se esse texto não conseguiu convencê-lo a assistir o filme,  é só dar um save, e ir assisti-lo. Se não gostar, dê um load, que não vai ter perdido tempo nenhum.

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